O sistema econômico de mercado tem hoje, direta ou indiretamente, extensão planetária, o que se tornou possível com o desaparecimento da alternativa do socialismo real e com o final da guerra fria. A globalização contribuiu com a constituição de uma chave essencial para explicar os fenômenos e processos mundiais característicos deste final de século. A transição contemporânea é total porque abrange, ao mesmo tempo, não apenas o domínio econômico, mas também muito outros, como o estratégico, o político e o tecnológico. A alteração do sistema de poder internacional criou um espaço político para que o mercado se mundialize e o sistema produtivo capitalista se transforme.
Ao reorganizar drasticamente o sistema internacional, a globalização econômica se associa ao globalismo nas relações internacionais, à revolução informacional, à visão planetária embutida nas preocupações ecológicas, às inquietações estéticas com o possível advento da pós-modernidade. Via exclusão e desemprego estrutural, a globalização tem forte impacto nas sociedades nacionais, a globalização, também, ampara a moldagem de uma nova estratificação internacional de poder.
Sob a ótica econômica, uma das manifestações mais visíveis da globalização é a dramática expansão dos fluxos financeiros. O fluxo virtualmente desimpedido dos capitais internacionais permite, em tese, a alocação eficiente destes nos mercados que mais oferecem atrativos, por serem os fluxos voláteis, cria-se uma vulnerabilidade que vem tornando necessária a acumulação de amplas reservas - com todas as conseqüências negativas decorrentes - e, assim, defender as economias nacionais das variações abruptas do mercado financeiro.
Diante dessas informações notamos que, a instabilidade fundamental do mercado internacional de capitais de curto prazo está sendo abertamente discutida. Faltam, porém, instâncias internacionais que controlem, ou sequer acompanhem, o comportamento desses fluxos, que provavelmente se dimensionam em trilhões de dólares. O problema hoje é de abundância de capitais e de indisciplina. Nem o Banco Mundial, que trata de financiamento para o desenvolvimento, nem o Fundo Monetário Internacional, mais preocupado com o equilíbrio das contas nacionais, têm vocação para esse controle, a ONU ou o G-7 muito menos e, por isso mesmo, precisam ser reformados e dinamizados.
O Brasil estará dando a contribuição a seu alcance para o bom ordenamento do sistema econômico internacional, ao concorrer para ambos os esforços com idéias e com empenho político, como foi sugerido por ocasião da visita presidencial a França, Outro aspecto notável é a globalização de processos produtivos de bens de alto teor tecnológico, no passado recente toda a linha de produção de um automóvel ou de um computador, por exemplo, se situava em um mesmo país. Hoje, para o lançamento dos "modelos mundiais", o investidor busca otimizar custos e aumentar a competitividade e, para tanto, se vale das vantagens comparativas e economias de escalas de diversos mercados nacionais. Seu exemplo permeia todo o processo industrial, o que transforma seu caráter e faz com que se internacionalize até a produção de calçados e a edição de livros.
Ao contrário da retórica dominante, a globalização não dissolve necessariamente as fronteiras nacionais, mas as reconfigura, ou seja, força a modificação das funções do Estado, o principal agente desse processo - a corporação multinacional - embora multiplique suas atividades em escala mundial, continua a ter sede em um país determinado. Basta pensar em qualquer delas e ninguém terá dúvidas a respeito de sua nacionalidade.
O capital internacional é atraído pelos mercados nacionais mais vantajosos, os quais são hierarquizados em termos de remuneração, custo dos insumos e qualidade de mão de obra. Cria-se com certeza um espaço cada vez mais transnacionalizado, no qual os Governos nacionais e sentem levados a competir entre si de forma aguda na promoção de arcabouços legais e fiscais que atraiam os variados tipos de capital internacional. Dentro de cada país, como estamos vendo, as respectivas divisões territoriais, inclusive os municípios, adotam comportamentos igualmente competitivos.
Outra faceta notável é a instantaneidade das comunicações entre os países e continentes, em cobertura ininterrupta nas 24 horas do dia. Os meios de comunicação global passam a reportar, em tempo real, os eventos e a decidir quais são os mais relevantes.
Enfim, a Internet torna-se aliada na possibilidade ao acesso desimpedido de qualquer indivíduo informatizado aos mais diversos universos informacionais. As grandes redes, como a CNN, formulam a agenda do noticiário global, ao passo que a Internet faz cada vez menos provável o controle das informações no interior das fronteiras nacionais.
FRANCHESCO - 8º Termo- Comex-IESB
chescoalberto@hotmail.com